domingo, 4 de setembro de 2011

HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO SUL

O GAÚCHO HISTÓRICO

Se nós os gaúchos jogamos fora os nossos
mitos, que é que sobra? Floriano olha para o
estancieiro e diz tranqüilamente: --sobra o Rio
Grande, doutor. O Rio Grande sem máscaras. O
Rio Grande sem belas mentiras.
(Érico Veríssimo, O Arquipélago).

O orgulho é um gigante cego e ignorante

que exige para si um mérito que não lhe é dev ido.


A "DESCOBERTA" E A INTEGRAÇÃO DO RIO GRANDE DO SUL


Durante os primeiros duzentos anos da História do Brasil o Rio Grande do Sul foi desconsiderado e esquecido quase que completamente pelos colonizadores portugueses, sem oferecer algo que pudesse ser explorado economicamente esta região foi deixada de lado e permaneceu inexplorada por muito tempo. Enquanto o restante do Brasil iniciava o seu processo de colonização com o ciclo econômico da cana-de-açúcar, o sul permanecia desocupado.
No início do século XVII, com a intenção de garantir a posse do território, a coroa espanhola determinou a ocupação do extremo sul da América pelos jesuítas. Os jesuítas eram padres que tinham como objetivo tornarem os índios cristãos, para isso eles construíam cidades que eram chamadas de reduções ou missões, onde os índios deveriam viver como europeus, respeitando horários e costumes europeus. A cristianização dos índios se dava através da catequese, da educação elementar (letras e matemática) e da atividade de artesanato. Foram os jesuítas os responsáveis por introduzir os rebanhos bovinos, caprino, ovino e cavalar. Com o tempo estes animais, principalmente o gado e as mulas, passaram a se tornar os principais produtos da economia do Rio Grande do Sul.
Por volta da metade do século XVII, começou a penetração dos bandeirantes paulistas em direção a região sul, até que por fim os jesuítas foram expulsos do extremo sul do Brasil e se retiraram para o lado espanhol deixando para trás o gado que começou a se reproduzir de forma selvagem. Mesmo com o crescimento do rebanho de gado o rio Grande do Sul permanecia como terra-de-ninguém, os únicos a freqüentarem eventualmente a região eram os bandeirantes paulistas que desembarcavam em Laguna e seguiam até a região mais ao sul para abater o gado selvagem e retirar couro e sebo.
Com o passar do tempo a disputa pelo domínio da região do Rio da Prata, entre Portugal e Espanha, foi um dos principais estímulos para a ocupação do Rio Grande do Sul. Com a descoberta de ouro em Minas Gerais em 1693, o Rio grande do Sul tornou-se economicamente importante para a coroa portuguesa o que colaborou com a efetiva colonização da região. O ciclo econômico da mineração possibilitou um grande crescimento populacional no Brasil, em pouco mais de cem anos a população cresceu de 300 mil para 3 milhões, esse crescimento populacional impulsionou o surgimento de um mercado consumidor, o chamado mercado interno. Era preciso alimentar essa população que crescia cada vez mais, assim o Rio Grande do Sul passou a fornecer charque, cavalos e mulas para a região de Minas, assumindo uma posição econômica importante a passando a ser colonizado e integrado ao restante do país.

A FORMAÇÃO DO GAÚCHO HISTÓRICO


Por ser uma zona de fronteira na qual a guerra e a disputa pelo controle da região foram as suas principais marcas o Rio Grande do Sul se caracterizou por ser uma “terra-de-ninguém”. As freqüentes guerras entre Espanha e Portugal pelo controle da região possibilitaram o surgimento de um tipo social denominado de gaúcho ou gaudério. A origem do gaúcho ou gaudério esta relacionada ao estupro das índias charruas, minuanas e iarós, prática corriqueiras entre bandeirantes e soldados. Esses mestiços, marginalizados pela população local, herdaram dos índios a habilidade no trato com o gado e a capacidade para montar. A denominação de gaúcho ou gaudério já definia o lugar deste grupo na sociedade da época



“Gauches, palavra Hespanhola uzada neste Paiz para expressar aos Vagabundos, ou ladroens do campo, quais vaqueiros, costumados a matar os Touros chimarroens, a sacar-lhes os couros, e a leva-los ocultamente as Povoaçoens, para sua venda ou troca por outros gêneros”

A presença deste grupo social foi largamente identificada por historiadores e viajantes



“Historicamente o primeiro registro do tipo é em Santa Fé, em 1617, quando mozos perdidos, vestidos à semelhança dos charruas, com botas de garrão de potro, chiripá e poncho, assaltavam as estâncias. As cartas dos jesuítas registram que em 1686 surgiram os vagos ou vagabundos pilhando as estâncias missioneiras. Em 1700 aparecem com o nome de changadores na Vacaria do Mar, e como vagabundos e changadores pero de Montevidéu, 1705.”

Durante todo o período colonial o gaúcho foi retratado de forma pejorativa e tratado como uma ameaça a vida social do período “sem chefes, sem leis, sem polícia, os gaúchos não têm da moral senão idéias vulgares” . Segue as descrições sobre esse tipo social


“Além do dito povo, há naquela região [...] uma outra classe de gente, mui apropriadamente chamados de gaúchos ou gaudérios. [...] Sua nudez, suas barbas crescidas, seu cabelo sempre despenteado, sua sujeira e a brutalidade de sua aparência os tornam horríveis de ver. Por nenhum motivo ou interesse querem eles trabalhar para alguém, e além de serem ladrões, também raptam. A essas levam para os ambos e vivem com elas em choças, abatendo gado selvagem para seu sustento.”

Esses nômades dos pampas parecem ter criado uma imagem de miserável entre os visitantes


“Esses homens não deixam de espantar a quem não esteja habituados a vê-los. Estão sempre sujos; suas barbas sempre por fazer; andam descalços, e mesmo sem calças sob a completa cobertura do poncho. Por seus costumes, maneiras e roupas, conhecem-se os seus hábitos, sem sensibilidade e muitas fezes sem religião. Eles são chamados gaúchos, camiluchos ou gaudérios [...]. Trabalham apenas para adquirir o tabaco que fumam e a erva mate paraguaia que tomam em regra sem açúcar e tantas por dia quanto é possível.”

Assim o gaúcho histórico foi, enquanto existiu, tratado como um marginal, um paria que não se ajustava a vida em sociedade, um miserável e desempregado que deveria ser excluído. A única utilidade deste gaúcho marginal era servir nas guerras. Este termo gaúcho que identificava o marginal era renegado pela população do Rio Grande do Sul, até o final do século XIX o natural do Rio Grande do Sul se auto denominava de continentino ou rio-grandense. Com a privatização e o cercamento das terras no sul e a apropriação do gado selvagens pelos latifundiários o gaúcho histórico deixou de existir passando a ser incorporado como peão nas estâncias. Nos anos 60 do século XX, jovens interioranos que estudavam em Porto Alegre recriaram miticamente esse que conhecemos hoje, o gaúcho de bombacha ou o gaúcho do CTG que historicamente nunca existiu.

Antiguidade Oriental

Primeiras Civilizações

A Revolução Agrícola, acontecida no final do neolítico,  possibilitou a sedentarização do homem, a passagem para a economia produtora, o crescimento populacional e o surgimento dos primeiros reinos e impérios. Este fenômeno aconteceu simultaneamente em diversas regiões do mundo, entre elas:  a Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates; o Egito, no rio Nilo; a Índia no rio Indo; a China, no rio Amarelo, etc.

Antiguidade Oriental

Os reinos e impérios surgidos na região organizaram-se sob aspectos muitos semelhantes, uma economia baseada na agricultura de irrigação, o poder político centrados na atividade religiosa e militar e a exploração da massa de componeses. Os sacerdotes e os oficiais do exército eram a base de sustentação do poder dos reis e imperadores da região. Essas sociedades desenvolveram a escrita, construíram cidades, ergueram impérios, disciplinaram as relações socias através dos códigos de leis e organizaram formas complexas de exploração do trabalho.

Egito Antigo

No nordeste do continente africano ao longo das marges do rio Nilo nasceu uma das mais importates civilizações da história da humanidade. As cheias periódicas do Nilo transformaram a região num oasis. Entre meses junho e setembro o rio inundava, a área alagada era naturalmente fertlizada. A partir do neolítico grupos de sapiens sapiens começaram a a utilizar a terra fértil para a produção agrícola.


O Estado Egípcio

Com o aprimoramento da produção agrícola houve um crescimento populacional e a formação de uma sociedade cada vez mais complexa. Com o tempo foi se consolidando a figura do Faraó como o imperador de todo o Egito. O Estado egípcio era uma teocracia pois o Faraó era considerado um Deus vivo, descendente direto de Amon-Rá o Deus Sol, seu poder era ao mesmo tempo religioso e político. Apoiado pela elite formada por militares e sacerdotes o Faraó era soberano de todas as  terras férteis do Egito e sobre as pessoas que lá viviam.


Divisão Social

A maior parte da população do Egito era formada por camponeses que trabalhavam nas terras pertencentes ao Faraó e à elite egípcia. Sob o sistema de servidão coletiva os servos deveriam entregar a maior parte da sua produção aos templos. Nos meses de enchente do Nilo os camponeses trabalhavam na construção e manutenção de diques e canais, também participavam da construção de templos e prédios públicos. Havia também um pequeno número de escravos que eram prisioneiros de guerra. Outro grupo imortante eram os artesãos que exerciam uma série de atividades tais como: tecelões, carpinteiros, marceneiros, sapateiros, pedreiros, ferreiros, pintores, escultores e ourives. Existiam ainda os escribas que tinham um papel importantíssimo na sociedade egípcia, eram responsáveis pelos registros contábeis e históricos, sua função era tão importante que formavam uma elite com alguns privilégios. Acima dos escribas ficava a elite formada pelos oficiais do exército, pelos sacerdotes, pelos altos funcionários e pelo Faraó e sua família.


A Religião e as heranças

A religião egípcia era politeísta muitos dos elementos da natureza eram considerados deuses. Eles acreditavam na vida após a morte e de que seria preciso conservar o corpo para que a alma fosse conservada. Para isso eles desenvolveram a técnica da mumificação, essa tecnica tinha como objetivo preservar os corpos. Além da sua religião os egípcios nos deixaram como herança a escrita hieroglífica, pequeno desenhos de multiplos significados, o desenvolvimento de complexos cáculos geométricos da astronomia e foram resposáveis por criar o calendário de 365 dias dividido em doze meses.


Mesopotâmia

A região da Mesopotâmia era uam região de passagem, uma espécie de corredor onde passavam muitos povos nômades vindos de diversas regiões. Atraídos pelas terras férteis próximas aos rios Tigre e Eufrates muitos povos se sedentarizaram na região e passaram a viver da agricultura e do pastoreio do gado. A ocupação inicial da região deu-se pelos sumérios mas outros povos importantes como os amoritas e os assírios também ocuparam a região. Ao longo do processo histórico três importantes impérios sucederam-se na região.



Sumerianos e Acadianos (2200-2100 a.C.)

Vindos do Planalto Iraniano esses povos fundaram diversas cidades como: Ur, Uruk, Nipur, Lagash, etc. Cada uma delas governada por uma união entre militares e sacerdotes. Na sociedade sumeriano os deuses eram considerados proprietários de todas as terras a quem os homens deveriam servir, os governantes eram intermediários entre os deuses e os homens. Devido a uma série de revoltas internas e pressões externas o império acadiano entrou em decadência e foi superado pelos babilônicos.


Império Babilônico (2000-1750 a.C.)

Entre os invasores do impérios acadiano destacaram-se os amoritas ou babilônicos. Oriundos da cidade da Babilônia no deserto da arábia impuseram o domínio sobre a região. No século XVIII a.C. o rei Hamurabi da Babilônia extendeu o seu domínio sobre toda a região da Mesopotâmia e unificou o império. Durante o reinado de Hamurabi foi elaborado o primeiro código de leis completo da região, após sua morte o império entrou em decadência e foi conquistado pelos assírios.


Império Assírio (1300-612 a.C.)

Os assírios chegaram a região por volta de 2500 a.C. fazendo da cidade de Assur sua capital. Ergueram um forte Estado altamente militarizado desenvolvendo novas técnicas de guerra como as armas de ferro, os cavalos e os carros. O poder na sociedade assíria era exercido pelos militares e pelos sacerdotes que cobravam tributos da população e dos povos conquistados. Por volta de 612 a.C. o império assírios começou a entrar em decadência até ser definitivamente conquistada pelos persas em 539 a.C.             

                                                                                                                      
Mapa do Império Assírio 


Divisão Social e Economia na Mesopotâmia

A base da economia na região era a agricultura e a maior parte da população era formada por camponeses que trabalhavam em regime de servidão coletiva. Além da exploração da agricultura o comércio e a produção artesanal eram fatores de riqueza, igualmente concentrados na mão de uma elite. Os comerciantes organizavam caravanas que iam da Arábia a Índia, buscando e levando produtos como lã, tecidos, cevada e minerais.


Heranças Culturais

Cidade Babilônia e os jardins suspensos.

Assim como no Egito a religião na Mesopotâmia era politeísta. Elementos da natureza como o sol, a terra, a lua os rios, eram considerados divinos. Os deuses eram ao mesmo tempo entidades do bem o do mal. No campo da ciência os mesopotâmicos desenvolveram principalmente a astronomia e a matemática. Entre as suas contribuições mais importantes destacam-se: a semana de sete dias, o estudo e a crença no horóscopo, a divisão do dia em horas, minutos e segundos, a divisão do círculo em 360 graus e o processo de multiplicação.


Os Hebreus

Os Hebreus Ancestrais do povo judeu, os hebreus têm uma história marcada por migrações e pelo monoteísmo. Foram o primeiro povo realmente monoteísta da história, e o culto a Iavé foi o elemento que unificou os hebreus contra os inimigos externos. Segundo a tradição, Abraão, o patriarca fundador da nação hebraica, recebeu de Deus a missão de migrar para Canaã, terra dos cananeus, depois chamada de Palestina. Após passarem um período em Canaã, os hebreus foram para o Egito, onde viveram entre 300 e 400, e acabaram transformados em escravos. Sua história começa a ganhar destaque a partir do momento em que resolvem sair do Egito, sob liderança de Moisés, voltar para a Palestina. Em 70 a.C., a Palestina era uma província romana; as muitas rebeliões ocorridas na região levaram o governo imperial a expulsar os hebreus da Palestina. Até 1948, quando foi fundada o Estado de Israel, os judeus viveram sem pátria; atualmente são os palestinos que não tem pátria, pois suas terras foram tomadas pelos Israelense. 


Os Persas 

No segundo milênio antes de cristo, o Planalto Iraniano foi ocupado pelos persas e pelos medos, dois povos de origem indo-européia, que se enfrentaram pela hegemonia da região onde hoje se localiza o Irã. Em 550 a.C., os persas derrotaram os medos, conquistaram o Irã e deram início à formação de um vasto império que se estendeu pela Ásia, norte da África, Mesopotâmia, até o mar Mediterrâneo. Para assegurar o acesso e o controle do vasto império, foram construídas longas estradas. Além disso, um eficiente serviço de correios mantinham o imperador informado do que se passava em todas as províncias. O uso do cavalo como meio de transporte e as estradas facilitavam muito o comércio terrestre entre as mais distantes regiões. A organização social persa obedecia ao padrão clássico da Antigüidade: as terras e o comércio estavam concentrados nas mãos do rei e da família real, dos nobres e de oficiais do exército. O restante da sociedade vivia na pobreza, trabalhando em regime de servidão ou escravidão. Após duzentos anos de existência, o Império Persa começou a se desintegrar diante das derrotas sofridas nas batalhas contra os gregos. O processo de decadência se consumou no século IV a.C., quando o império foi conquistado por Alexandre (o grande) da Macedônia, que unifico regiões do Oriente e do Ocidente. 


Império Persa
Os Fenícios 

Povo de origem semita que migrou para o litoral do Mar Mediterrâneo onde hoje se localiza o Líbano. A proximidade com o mar e as dificuldades de solo e de relevo da região criaram nos fenícios uma inclinação para as atividades marítimas; desenvolveram técnicas de navegação e construção de embarcações, que permitiram fazer da navegação comercial seu meio de vida. Navegaram pelo Mediterrâneo, Mar Negro, Atlântico e Mar do Norte. Vendiam o que pudessem carregar, principalmente produtos manufaturados. A procura de mercadorias incentivou a produção artesanal de jóias, objetos de vidro, armas e tecidos. Vendiam também muita madeira. Na fenícia a riqueza era medida pela quantidade de dinheiro e bens e não pela posse da terra; por isso havia maior mobilidade social. Não era impossível um artesão iniciar um pequeno comércio, progredir e tornar-se homem rico. Os trabalhadores livres – artesãos, agricultores, pescadores e marinheiros – formavam a maior parte da população; havia escravos no serviço doméstico também nas embarcações, onde eram colocados para remar. O grupo mais rico era, evidentemente, o dos grandes comerciantes, mas os funcionários graduados e os sacerdotes também faziam parte da elite. Os fenícios foram responsáveis pela difusão cultural na Antigüidade e, para as sociedades posteriores, legaram us alfabeto que tornou-se a base da escrita grega e romana. A civilização persa começou a desaparecer quando foi conquistada pelos persas e depois pelos macedônios.


Comerciantes fenícios.





terça-feira, 10 de maio de 2011

ILUMINISMO

ILUMINISMO



Este movimento surgiu na Europa, principalmente na França, ao longo do século XVII, período conhecido como século das luzes. Os iluministas defendia o uso da razão em oposição à visão teocêntrica característica da Idade Média. Para os iluministas a razão seria a luz que iluminaria os homens no caminho da ciência e do conhecimento. Essa luz, segundos os iluministas, seria uma contraposição as trevas da Idade Média, representadas pelo misticismo, pela irracionalidade, pelo fanatismo, pela superstição e pelo teocentrismo.

OS IDEAIS ILUMINISTAS

Os pensadores e filósofos iluministas defendiam que o mundo natural e, principalmente, o mundo social e político deveria ser interpretado pela razão. A visão medieval, dominada pela igreja e pelo alto clero, definia a política e a sociedade como resultados da ação divina, as pessoas ocupavam os lugares na sociedade por vontade de Deus. Para os iluministas a sociedade e a política deveriam ser entendidas de forma racional e como resultado da ação humana. Se o lugar das pessoas na sociedade era fruto da ação humana e não da açõas divina a política e a sociedade poderiam e deveriam ser criticadas. Os iluministas fizeram a crítica e propuseram soluções.

Para eles o homem era naturalmente bom, porém, era corrompido pela sociedade. Acreditavam que se todos fizessem parte de uma sociedade justa, com direitos iguais a todos, a felicidade comum seria alcançada. Por esta razão, eles defendiam a liberdade religiosa, condenavam o mercantilistas, se opunham ao absolutismo e aos privilégios dados a nobreza e ao clero. Esse movimento foi apoiado pela burguesia que via no iluminismo a oportunidade de contestar o domínio da nobreza, do clero e do rei.

OS FILOSOFOS E PENSADORES

John Locke (1631-1704): Para Locke os cidadãos tem o direito de derrubar os governos que não respeitam seus direitos. Locke dizia que todos os homens, ao nascer, tinham direitos naturais: direito à vida, à liberdade e à propriedade. Locke pode ser considerado como o marco da democracia liberal com a importância dada pelo seu pensamento à ideia de tolerância.





Montesquieu (1689-1755): Revelou-se um crítico severo e irônico da monarquia absolutista decadente, bem como do clero católico. Adquiriu sólidos conhecimentos humanistas. No livro o Espírito da Leis, 1748, cria a teoria dos três poderes. Além disso, publicou em 1721 – as cartas persas- que usava do ridículo para certos costumes da sociedade européia.






Voltaire (1694-1778): foi um escritor, ensaísta e filosofo iluminista, conhecido pela sua perspicácia e espirituosidade na defesa das liberdades civis, inclusive liberdade religiosa e livre comércio. Escritor prolífico, Voltaire produziu cerca de 70 obras em quase todas as formas. Foi um defensor aberto da reforma social. Ele frequentemente usou suas obras para criticar a igreja católica e as instituições francesas do seu tempo. Ficou conhecido por dirigir duas críticas aos reis absolutistas e aos privilégios do clero e da nobreza.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1804): O suíço foi filósofo, escritor, teórico político e um compositor musical autodidata. Ao defender que todos os homens nascem livres, e a liberdade faz parte da natureza do homem, Rousseau inspirou todos os movimentos que visaram uma busca pela liberdade. A obra Do Contrato Social, publicada em 1762, propõe que todos os homens façam um novo contrato social onde se defenda a liberdade do homem baseado na experiência política das antigas civilizações, assim, criou o ideal de Estado no qual todas as pessoas deveriam participar do governo e as decisões deveriam ser tomadas pela vontade geral. Reconhecido como o mais radical dos iluministas Rousseau inspirou os anarquistas e os socialistas.

Adam Smith (1723-1790): foi responsável por sintetizar as ideias que leverão ao surgimento do liberalismo. Em seu livro A Riqueza das Nações Smith pregou a liberdade individual contra a ingerência do Estado. Individualismo jurídico, liberdade de pensamento, liberdade religiosa, direitos fundamentais, propriedade privada e livre mercado. O seu livro e considerado o primeiro estudo sistemático sobre economia, deu origem a disciplina Economia. A teoria do liberalismo de Adam Smith foi sintetizada pela expressão: “laissez faire, laissez aller, laissez passer".

OS CIENTISTAS DO PERÍODO

Isaac Newton (1642-1727): pai da física moderna - Deduziu o principio da gravitação universal. Ele demonstrou, de forma clara e precisa, que a luz branca é formada por uma banda de cores que podiam separar-se por meio de um prisma. Além disso deixou como herança as conhecidas três leis de Newton: Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças imprimidas sobre ele; A mudança de movimento é proporcional à força motora imprimida; Para cada ação há uma reação de igual força e contrária.

Antoine Lavoisier (1743-1794): pai da química moderna - Foi o primeiro cientista a enunciar o princípio da conservação da matéria. Além disso identificou e batizou o oxigênio e participou na reforma da nomenclatura química. O químico ficou célebre por seus estudos sobre a conservação da matéria, mais tarde imortalizado pela frase popular: "Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.“

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Expansão Marítima

EXPANSÃO MARÍTIMA

"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas foi nele que espelhou o céu"


Fernando Pessoa

Caravela portuguesa


ANTECEDENTES


Expansão Marítima Comercial aconteceu entre o final do século XV e início do século XVI. Fruto das transformações acontecidas na Baixa Idade Média a expansão teve como antecedentes
. Renascimento Comercial
. Formação do Estado Absolutista
. Cruzadas.

Os burgueses


O Renascimento Comercial esta na origem das transformações que levaram a Expansão Marítima:
. Introdução de novas técnicas agrícolas;
. Crescimento populacional;
. Formação do excedente agrícola;
. Surgimento das Feiras;
. Renascimento Urbano;
. Monetarização da economia;
. Surgimento da burguesia;
. Formação do Estado Absolutista;
. Cruzadas/Reabertura do Mediterrâneo.


O Renascimento Comercial foi uma mudança de mentalidade. O comércio passa a ser a base da economia e o desejo de lucro o objetivo principal. Foi esse desejo de lucro que impulsionou a Expansão Marítima.








O Estado Absolutista surge da aliança entre o rei a nobreza com o objetivo de se adaptar as novas condições da sociedade mercantil. O Rei centraliza o poder para favorecer o comércio e arrecadar mais impostos. Junto com o absolutismo surge o Mercantilismo que definia o conjunto de prática que o Estado deveria seguir:
. Balança comercial favorável.
. Protecionismo alfandegário.
. Metalismo.

O Estado Nacional foi responsável por organizar os recursos necessários para que fosse possível a realização da Expansão Marítima. O grande objetivo era obter as especiarias com grande margem de lucro e buscar novas reservas de ouro.


Os cruzados


As Cruzadas foram as guerras santas que aconteceram a partir do século XI com o objetivo de conquistar a terra santa – Jerusalém. Mesmo sendo derrotados os cristãos conseguiram o recuo dos muçulmanos e a reabertura do Mediterrâneo que passou a ser navegável novamente para os europeus a partir das Cruzadas.
Além de possibilitarem a reabertura do Mediterrâneo para os europeus as cruzadas foram responsáveis pela introdução das especiarias na economia européia. Os temperos passaram a ser fundamentais para a conservação dos alimentos e na dieta dos europeus.

OS OBJETIVOS DA EXPANSÃO MARÍTIMA


As rotas das expeciarias.

A partir do Renascimento Comercial criaram-se as condições que levariam a Expansão Marítima e a descoberta e conquista do Novo Mundo. Em meio as lendas de abismos eternos e monstros os navegadores jogaram-se ao mar “tenebroso” buscando lucro e riqueza. De fato, a expansão buscava solucionar alguns problemas gerados pelo Renascimento Comercial:
. Quebrar o monopólio das cidades italianas;
. Ampliar as rotas comerciais;
. Procurar novas reservas de ouro.

O mar tenebroso

AS CONDIÇÕES

Com a organização do Estado Absolutista e o financiamento da burguesia criaram-se as condições necessárias para que fossem feitas as grandes navegações. Mas ainda assim foi necessário um grande avanço tecnológico com acúmulo de conhecimento:
. Caravelas: houve o aperfeiçoamento no processo de construção das caravelas.
. Bússola: a bússola passou a ser utilizada como instrumento de localização.
. Astrolábio: instrumento fundamental para a localização e posicionamento.
. Cartas Marítimas: os mapas eram fundamentais para os navegantes .



Bússola


PIONEIRISMO PORTUGUÊS

Escola de Sagres


Portugal foi pioneiro na Expansão Marítima pois soube se utilizar das suas condições naturais e construiu as condições materiais que possibilitaram as viagens marítimas. Os fatores que colaboraram com o pioneirismo português foram: Estado Absolutista fortemente centralizado e organizado; presença de uma rica burguesia ligada ao comércio marítimo; Vocação para navegação devido a sua localização; formação da Escola de Sagres que possibilitou um acumulo de conhecimento.



AS NAVEGAÇÕES PORTUGUESAS

A estratégia adota pelos portugueses foi a de circunavegação da África. A idéia era contornar a África, seguindo pela costa e atravessando o Atlântico, para chegar até o Índico. Os portugueses encontraram um sistema de ventos e de marés que favoreceram as suas viagens.


Sistema de ventos que favoreceram os portugueses


Cronologia da expansão portuguesa:

1413: Fundação da Escola de Sagres por infante dom Henrique.
1434: Passagem pelo Cabo do Bojador.
1435: Chegada à Costa do Ouro.
1444: Chegada a Cabo Verde.
1446: Chegada à Guiné Bissau.
1471: Chega a São Tomé e Príncipe.
1482: Diogo Cão chega ao rio Zaire.
1487: Bartolomeu Dias ultrapassa o cabo da Boa Esperança.
1497: expedição de Vasco da Gama parte de Lisboa.
1498: Vasco da Gama volta de Calicute da índia.
1500: Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil.

AS NEVEGAÇÕES ESPANHOLAS

Cristóvão Colombo

Após a expulsão dos árabes de seu território em 1492, os reis espanhóis Isabel e Fernando conseguiram unificar a Espanha e investiram nas navegações. Mesmo sem muita experiência a Espanha passou a financiar expedições de navegadores estrangeiros.

1492: chegada de Cristóvão Colombo à América.
1504: expedição de Américo Vespúcio
1519: Fernão de Magalhães chega até o extremo sul da América.


TRATADO DE TORDESILHAS


Tratado de Tordesilhas


Os pioneiros na Expansão Marítima foram os países ibéricos. Criadas as condições Portugal e Espanha estabeleceram as estratégias para chegar até as Índias. Essas estratégias foram consolidadas com a formalização do Tratado de Tordesilhas em 07/06/1494. Com a mediação do Papa os dois países dividiram o Novo Mundo estabelcendo uma linha imaginária. ficando as terras a leste para a coroa portuguesa e a oeste para o reino da Espanha.

sábado, 24 de outubro de 2009

Machuca


Direção: Andrés Wood, Chile, 2004.



O filme Machuca retrata o Chile pouco antes do golpe que retirou do poder o presidente eleito Salvador Allende. O filme mostra o que estava acontecendo através da visão de duas crianças que pertenciam a classes sociais distintas. Gonzalo um menino de classe alta alienado de todos os acontecimentos do país começa a se relacionar com Pedro Machuca, um garoto pobre, morador de favela, que tem consciência de tudo que esta ocorrendo, pois sofre consequências direta da pobreza. Machuca só esta na mesma escola que Gonzalo porque o diretor, padre McEnroe, concedeu bolsas a alguns alunos pobres. A convivência entre os dois meninos vai abrindo os olhos de Gonzalo sobre as condições pobreza e miséria em que Machuca vive que, por sua vez, percebe todas as vantagens de ser um menino rico.

Eu gostei do filme, a mistura entre a realidade e ficção ficou muito bem dosada. Os relacionamentos e comportamentos de cada um dos personagens que representam setores sociais diferentes, como por exemplo o padre diretor da escola, ele representava um conjunto de pessoas que acreditavam na igualdade, já a mãe de Gonzalo era representante da elite, preocupados com seus benefícios, escravos da aparência, sem se preocuparem com o resto da sociedade. Ainda há a prima de Machuca que é revoltada com a falta de oportunidade e igualdade. A fotografia é uma peça chave desse filme, ela nos faz pensar na tristeza que existia na favela, enquanto Gonzalo está no seu bairro, os passarinhos contam, as árvores são verdes, o bairro tem cor e ao chegar na favela o ambiente fica acinzetado. Na parte final do filme a direita da um golpe e assume o poder. Gonzalo vai até a favela e presencia toda a violência do golpe e dos militares. Essa parte é terrivelmente triste, Gonzalo não era mais um menino alienado, ele tinha plena consciência da injustiça e da brutalidade do que ele estava presenciando mas fez exatamente o que outros fizeram, ignorou. Ele não se interessou em defender seu amigo, ele decide salvar-se e ir embora viver sua vida confortável e segura.

Gabriela Pires - Turma: 131 - 2009.





quarta-feira, 13 de maio de 2009

MOVIMENTOS SOCIAIS NA REPÚBLICA VELHA

Movimentos Sociais de Oposição à República Velha
Pequena Síntese Desorganizada.


Cabanas dos moradores de Canudos.


GUERRA DE CANUDOS (1896-1897)
· Governo Prudente de Morais 1894-1898.
· Nordeste da Bahia – numa antiga fazenda chamada Canudos/aldeia Belo Monte/20 mil habitantes.
· Superexploração e uma década de secas agravavam a situação de miséria e fome dos sertanejos.
. Movimento messiânico de oposição à república.
· Antonio Conselheiro – líder carismático com discurso capaz de mobilizar a população pobre.
· Organização econômica de subsistência com pequeno comércio de excedentes.
· Possuíam pequenos grupos armados para proteção (Pajeú e João Abade).
· Acusados de serem monarquistas, assassinos e fanáticos.
· Expedições oficiais
1o: novembro de 1896, comandado por Manuel Pires Ferreira com 100 homens;
2o: janeiro de 1897, comandado por Febrôncio de Britto com 550 homens;
3o: março de 1897, comandado por Moreira César (gaúchos), com 1300 homens;
4o: junho de 1897, comandado por Machado Bittencourt, 15 mil homens bem armados – expedição retratada
por Euclides da Cunha no livro “Os Sertões”.
· Movimento foi violentamente reprimido, não houve nenhum prisioneiro.


Charge sobre a Revolta da Vacina

REVOLTA DA VACINA (Outubro de 1904)
· Governo Rodrigues Alves 1902-1906.
· Projeto de urbanização do Rio de Janeiro pelo prefeito Pereira Passos (“Bota Abaixo”).
· Desapropriações e derrubada de casas no Rio de Janeiro geraram muitos desabrigados.
· Osvaldo Cruz instituiu a vacinação obrigatória para combater a varíola e a febre amarela.
· População pobre abalada pela crise inflacionária se revolta e, durante quatro dias, enfrentou a polícia.
· Aos gritos de “abaixo a vacina”, cortaram fios, tomaram a Cia de Gás e espalharam barricadas pela
cidade.
· O governo reprimiu violentamente os revoltosos com apoio de Minas Gerais e São Paulo.


REVOLTA DA CHIBATA (1910)
· Governo Hermes da Fonseca 1910-1914.
· Os castigos corporais do tempo de Império ainda continuavam sendo aplicados na marinha.
· Serviço militar era arbitrário na seleção e o prazo de permanência na marinha era de 10 a 15 anos.
· Por qualquer falha os marinheiros eram condenados a prisão a ferros na solitária.
· Na reincidência os marinheiros eram condenados a castigos corporais
· Estopim foi à condenação de Marcelino Ramos a 250 chibatadas no encouraçado Minas Gerais.
· João Cândido - o “Almirante Negro”- em 22 de novembro, organiza a tomada do Minas Gerais.
· Os encouraçados Bahia, São Paulo e Deodoro também foram dominados pelos marinheiros.
· Alguns parlamentares e a população do Rio de Janeiro apoiaram o movimento.
· Hermes da Fonseca cede às exigências dos marinheiros e anistia os revoltosos.
· Logo após os encouraçados serem devolvidos ao controle da marinha os revoltosos são presos.
· Atemorizados os marinheiros se revoltam novamente, desta vez eles são bombardeados e presos.
· Retomados as embarcações alguns os rebeldes são mandados para uma base na Amazônia. Na viagem alguns são

condenados e executados. João Cândido e mais 17 companheiros foram presos. Quinze morreram na prisão e João
Cândido foi internado num hospício, mesmo tendo laudos médicos que confirmavam que não era louco.



Comandados de José Maria

REVOLTA DO CONTESTADO
· Governo Venceslau Brás 1914-1918.
· Interior dos estados de Santa Catarina e Paraná numa área contestada pelos dois estados.
· População de posseiros pobres e marginalizados que foram expulsos das terras.
· Desenvolvimento de comunidade mística de economia de subsistência.
· Líder da comunidade era o “monge” José Maria que pregava oposição ao regime.
· Movimento reprimido violentamente por uma expedição de sete mil homens que destroçou Contestado.



Lampião e Maria Bonita

O CANGAÇO
· Auge do Cangaço ocorreu durante o governo de Epitáfio Pessoa.
· Região da zona rural do nordeste.
· Os coronéis costumavam organizar grupos armados para a sua defesa e a defesa de suas terras.
· No final do século XIX o agravamento da seca e a concentração de terras na região fizeram com que esses
bandos armados passassem a assaltar para conseguir alimentos.
· Os dois líderes que receberam destaque foram Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião e Corisco ou Diabo Loiro.
· Lampião só foi derrotado em 1938, no Sertão de Sergipe, decapitado e esquartejado sua cabeça foi exposta ao
público. Em 1940 foi preso o último dos cangaceiros, Corisco, no interior da Bahia.

terça-feira, 12 de maio de 2009

PALESTINA LIVRE



"Se você treme de raiva perante uma injustiça então somos companheiros"
Che Guevara


As imagens são o retrato da situação desesperadora dos palestinos diante da avassaladora e
genocida máquina de guerra do Estado de Israel.






















Não há justificativa para esta violência.
E você vai fazer o que?

domingo, 10 de maio de 2009

ROMA ANTIGA


ROMA ANTIGA

A lenda da fundação de Roma fala em dois meninos
amamentados por uma loba.

A cidade de Roma se desenvolveu na península itálica numa região de solo fértil e acesso fácil ao mar Mediterrâneo. Roma é fruto da confluência de dois povos: as tribos de latinos que habitavam o Lácio e os etruscos que viviam na Toscana. Fundada por volta de 1000 a.C., a cidade era um centro militar de defesa dos latinos contra ataques dos etruscos.

A MONARQUIA

Durante a monarquia a sociedade Romana estava dividida em: patrícios cidadãos romanos, aristocracia dona das terras, únicos com direitos políticos e com acesso exclusivo ao treinamento militar; plebeus povos frutos das primeiras conquistas romanas eram livres, mas não possuíam nenhum direito político; e os escravos que eram prisioneiros de guerras. Nesta fase os romanos eram comandados por reis etruscos que controlavam a cidade-Estado.



Domínio sobre as rotas comerciais era fundamental para Roma

A REPÚBLICA (509 a.C. – 27 a.C.)

Período marcado pela expansão militar de Roma e da crescente utilização da mão-de-obra escrava. O poderio militar de Roma era baseado num exército disciplinado, organizado, eficiente que possibilitava a cidade ter o controle das rotas comerciais. A partir de 509 a.C. uma articulação de patrícios depõe o rei e o Senado passa a ser o centro das decisões políticas. Formado por 300 senadores escolhidos entre os patrícios mais ricos através do censo, o senado governava, administrava, comandava o exército e tomava as decisões. Sob comando do senado Roma fez o processo de unificação da península itálica entre os séculos V e III a.C. Após a unificação, passou a disputar a hegemonia do Mediterrâneo com Cartago (fundada na África do Norte pelos fenícios). Essa disputa entre Roma e cartago, donimadas de Guerras Púnicas, iniciam em 264 a.C. e chegaram ao fim em 146 a.C., quando os exércitos romanos arrasam a cidade. Após derrotar Cartago Roma se expande pelo Oriente com as conquistas sobre a Macedônia (197 a.C.), a Síria (189 a.C.), a Grécia (146 a.C.) e o Egito (30 a.C.), e na Europa com a conquista sobre a Gália Transalpina. Em direção ao oriente os romanos estenderam o seu império até as margens do rio Indo. No centro do Império Romano estava o Mediterrâneo, que os romanos passaram a chamar de Mare Nostrum. O Mediterrâneo passou a ser principal via de comunicação do império, por ele os romanos levavam e traziam exército e produtos, o que foi fundamental para as suas conquistas. Os territórios conquistados eram transformados em Províncias, dominados econômica, política e militarmente. Parte da sua população era escravizada e passavam a pagar tributos à Roma. A expansão militar foi responsável por um conjunto de problemas que levaram a uma grave crise social e política:

. Crescimento do poder político dos generais: quanto maior a dependência de Roma com relação ao seu exército mais poder concentravam os comandantes militares, pois havia um vínculo entre os generais e os seus comandados o que fez com que esses generais acumulassem cada vez mais poder militar e político;
. As revoltas nas províncias: com o aumento da extensão do Império Romano passou a existir muita dificuldade em manter o controle sobre as Províncias, aconteceram várias revoltas que fizeram aumentar o esforço romano para manter o controle sobre as regiões dominadas, para isso houve o surgimento da profissionalização dos exércitos, os soldados passaram a receber salários/soldo;
. Formação dos latifúndios: com o aumento da exploração sobre as Províncias os preços agrícolas sofreram uma queda, com isso os pequenos proprietários não tinham como concorrer com as grandes propriedades e passaram a vender suas terras o que fez gerar uma concentração de terras e a formação de latifúndios nas mãos dos patrícios;
. Intensificação das revoltas escravistas: esta fase de expansão imperialista romana fez aumentar o número de escravos tornando a estrutura socioeconômica cada vez mais dependente dos cativos de guerra. Os escravos tornaram-se de importância vital para a economia romana e a sua ampla utilização trouxe ao Estado romano inúmeras rebeliões. A revolta comandada por Spartacus foi última grande revolta e a mais importante. Em 74 a.C. ele reuniu um exército de mais de 80 mil soldados e chegou a ameaçar Roma. Após, dois anos de luta ele foi derrotado e cerca de seis mil escravos rebelados foram crucificados;
. Êxodo rural: com o processo de concentração das terras e a utilização maciça de mão-de-obra escrava houve uma transferência dos plebeus das zonas rurais para as zonas urbanas.

Senado romano controlado pelos patrícios


OS CONFLITOS ENTRE PLEBEUS E PATRÍCIOS

A segurança de Roma dependia cada vez mais de um exército forte e numeroso e os plebeus eram indispensáveis na formação deste exército. Conscientes disso iniciaram uma longa luta política para conquistar direitos políticos. Esta luta perdurou por mais de um século e resultou em algumas conquistas:

. Criação do Tribuno da Plebe – 493 a.C. – os plebeus passaram a ter direito de eleger dois representantes que tinham direitos invioláveis, entre eles o direito de vetar qualquer lei que fosse prejudicial aos plebeus;
. Lei das 12 Tábuas – 450 a.C. – conjunto de leis escritas válidas para patrícios e plebeus. Embora favoráveis aos patrícios o fato das leis serem escritas serviu para dar clareza as leis;
. Lei Canuleia – 445 a.C. – Autorizava o casamento entre os plebeus e patrícios, mas na prática só os plebeus ricos conseguiam casar com os patrícios.
. Proibição da Escravidão por Dívida – 366 a.C. – foi decretada uma lei que proibia a escravização de romanos por dívida.

A FORMAÇÃO DO IMPÉRIO ROMANO

Com o crescimento e a ampliação do império romano os generais do exército romano foram concentrando cada vez mais poder. Em 60 a.C. os generais Pompeu, Crasso e Júlio Cesar, foram eleitos pelo senado para formar o primeiro Triunvirato, o objetivo era conter as revoltas internas e exernas. Com a morte de Crasso, Pompeu e César passaram a disputar o poder até que 45 a.C. Júlio César tornou-se único governante. Em 44 a.C., Júlio César foi assassinado por defensores da República. Após a morte de César foi formado o segundo Triunvirato composto por Antonio, Lépido e Otávio. Seguiu-se um segundo período de guerra civil que terminou com a vitória de Otávio. Em 31 a.C. Otávio recebeu o título de princeps (primeiro cidadão) imperador Otávio Augustus (divino). Concentrando o poder em suas mãos, Otávio governou de 27 a.C. até 14 d.C., e foi responsável por consolidar o império romano.


Extensão máxima do Império Romano


A PAX ROMANA E O ALTO IMPÉRIO

Ao imperador, supremo mandatário, cabia exercer totalmente o controle político, sobrepondo-se ao Senado. A plena centralização foi à solução política para por fim nos conflitos entre as várias facções políticas. Otávio Augusto realizou uma reorganização administrativa alterando a forma de cobrança dos tributos e aumento do número de funcionários públicos, além disso, ele instituiu a política do Panem et Circenses (pão e circo), a distribuição de trigo e organização de grandes espetáculos públicos para diminuir a tensão entre os plebeus desempregados. No plano militar, ele organizou um poderoso exército de mais de 300 mil homens composto por cidadãos e tropas das províncias, cujos membros só recebiam a cidadania após o serviço militar. Augusto estabilizou e expandiu o Império Romano proporcionando um período de grande prosperidade conhecido como pax romana. Os sucessores de Augusto desestruturaram o Império, minando o modo de produção escravista. Além de gerar crises com as disputas sucessórias, as arbitrariedades e as imoralidades dos imperadores contribuíram ainda mais para decadência do Império Romano.

Bárbaros saqueando Roma

O BAIXO IMPÉRIO ROMANO

Durante o século III, após chegar ao auge do seu processo de expansão e conquistas Roma começou entrar numa fase de declínio que vai acabar com colapso total e a superação da maior potência militar da Antiguidade, na fase conhecida como Baixo Império. E nesta fase que os fatores que levaram a sua decadência vão se acumular, entre fatores podemos citar:
. Anarquia Militar: tornou-se freqüente o exército romano colocar no poder e retirar do poder seus generais. Essas disputas pelo poder levaram ao enfraquecimento, desgaste e a anarquia do exército romano;
. Crise do Escravismo: tendo alicerçado sua economia no trabalho escravo, Roma sofreu severo abalo quando o fim das conquistas trouxe consigo a escassez de mão-de-obra escrava;
. Crise Econômica: a crise do escravismo e a diminuição dos saques de guerra tiveram efeito devastador sobre a economia romana. Houve uma crise econômica com a diminuição da produção agrícola. O Estado romano desvalorizava a moeda para poder arcar com o custo da burocracia e do exército gerando uma inflação crescente que acelerou a decadência econômica;
. Êxodo Urbano: A crise econômica e a enfraquecimento do exército, com os constantes ataques dos bárbaros, fez com que a população deixasse a cidade e passasse a se isolar em vilas auto-suficientes e autônomas, para poder enfrentar a crise geral do Império e se proteger.
. As Invasões Bárbaras: com exército romano enfraquecido os povos bárbaros começaram a fazer incursões e saques em terras romanas. Anglos, saxões, godos, visogodos, ostrogodos, germanos, vândalos e hunos passaram a atacar o império, até que em 476, Adroacro, líder germano, invade e saqueia a cidade de Roma. O último imperador Rômulo Augusto rendeu-se ao líder germano encerrando mais de mil anos de história do maior império da antiguidade.

sábado, 2 de maio de 2009

BRASIL COLÔNIA

O PROJETO COLONIAL E O MERCANTILISMO

A partir da chegada de Cristóvão Colombo nas terras da América no final do século XV, o continente americano passou a ser explorado pelos países europeus. Para racionalizar a exploração do Novo Mundo, como era conhecida a América, foi criado o sistema colonial, que nada mais era do que a adaptação das teorias mercantilistas e essa nova realidade. O metalismo, doutrina comercial favorável, protecionismo alfandegário e a intervenção do Estado na economia formaram o receituário de como as novas terras deveriam ser exploradas. O principio fundamental do sistema colonial era o pacto colonial, que determinava as normas aplicadas pelas metrópoles sobre as colônias. A principal característica do pacto colonial era o exclusivo colonial: a metrópole tinha o monopólio do comércio com a colônia e esta deveria se adaptar as necessidades comercial da metrópole. As colônias deveriam fornecer metais preciosos ou produtos tropicais com grande aceitação na Europa em contrapartida os países europeus forneciam produtos das manufaturas européias e a mão-de-obra escrava para o trabalho na agroexportação. Cada metrópole tinha o controle do comercio com a sua respectiva colônia e todo o comércio deveria ser feito pelos navios metropolitanos, como mecanismo de exploração o pacto colonial foi um fator de enriquecimento das metrópoles e de empobrecimento das colônias.

O ACHAMENTO DAS NOVAS TERRAS

Quando Vasco da Gama em 1499 cruzou o cabo da Boa Esperança retornando da sua viagem as Índias, ficou claro para os Portugueses que haviam terras no lado ocidental do Atlântico. Seguindo sua lucrativa rota das especiarias o rei dom Manuel, o Venturoso, decidiu enviar nova expedição para as índias sob comando de Pedro Álvares Cabral. A frota de Cabral formada por dez naus e três caravelas zarpou de Lisboa em 9 de março de 1500, com a intenção de desviar o caminho e chegar até as terras ainda desconhecidas. Assim, em 22 de abril de 1500 (imagens ao lado), a esquadra de Cabral avistou pela primeira vez o Brasil. Os portugueses ficaram ancorados por alguns dias até que em 2 de maio as caravelas portuguesas partiram em direção as índias enquanto uma delas retornou a Lisboa para comunicar ao rei o reconhecimento das novas terras. Com essa caravela seguiram alguns animais nativos, como papagaios e macacos, um índio e as cartas de Pero Vaz de Caminha descrevendo as novas terras.

O BRASIL PRÉ-COLONIAL (1500-1530)

Nas cartas que seguiram a Lisboa Pero Vaz de Caminha comunicava ao rei que não havia indícios aparentes de metais preciosos. Sendo assim, a coroa portuguesa tratou de continuar investindo os seus esforços e organização no lucrativo comércio de especiarias com as Índias. O Brasil ficou em segundo plano, tínhamos a oferecer apenas o pau-brasil – ibirapitanga – pau vermelho, do seu tronco era extraída uma tintura vermelha muito utilizada na Europa. Os portugueses trataram de organizar expedições com o objetivo de explorar, reconhecer e mapear o território do brasileiro. A primeira expedição foi a de Gaspar de Lemos em 1501, nesta expedição ele nomeou diversos acidentes geográficos cm nome de santos. Logo após veio a expedição de Gonçalo Coelho em 1503, esta expedição se caracterizou por estruturar a exploração do pau-brasil. Foi estabelecido o estanco, ou seja, o monopólio real sobre a exploração do produto, os índios retiravam o pau-brasil da mata atlântica em troca de produtos oferecidos pelos portugueses e estocavam nas feitorias que ficavam no litoral até serem embarcados para a Europa. A partir da expedição guarda costa de Cristóvão Jacques em 1516, a estratégia dos portugueses passou a ser a de garantir a posse do território uma vez que a presença de piratas ingleses e, principalmente, franceses preocupava a coroa, como as expedições não surtiam o resultado esperado os portugueses estabeleceram nova estratégia para o Brasil.

INÍCIO DA EMPRESA COLONIAL

A partir da crise do comércio com as Índias e da crescente ameaça de invasões estrangeiras o governo português passou implementar estratégias com o objetivo de colonizar o Brasil. Em 1531 a expedição de Martin Afonso de Souza marca o início dessa tentativa de colonização, eram 5 naus, 400 homens, sementes, plantas, ferramentas e animais domésticos. Martim Afonso tinha amplos poderes para combater estrangeiros, estabelecer feitorias, fundar núcleos urbanos, policiar, julgar, administrar e povoar as terras coloniais.
Martim Afonso tratou de organizar expedições que penetraram no interior do território brasileiro, em 1532 fundou a vila de São Vicente, no litoral sul do atual São Paulo, e passou a distribuir sesmarias (lotes de terra) aos habitantes que se comprometessem a se fixar na terra, a estratégia portuguesa era fixar população na terra para garantir a posse dos territórios da nova colônia, mas a fixação da população dependia viabilização econômica da colônia, não bastava a vontade dos portugueses de colonizar era preciso organizar a colonização em torno da exploração econômica de algum produto. Ainda receoso das penetrações estrangeiras em território brasileiro e percebendo que não era o suficiente fundar vilas para garantir a posse do território dom João III tentou adotar outro regime de colonização, as capitanias hereditárias. O modelo já havia sido testado nas ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde e foi implementado no Brasil, em 1536 o rei dividiu a colônia em 15 faixas de terras lineares e paralelas que se estendiam no sentido leste-oeste do litoral até a faixa imaginária do Tratado de Tordesilhas. O sistema de capitanias tinha o objetivo de estabelecer a colonização repassando os custos econômicos para particulares. Aos capitães donatários cabia: garantir o monopólio real sobre as riquezas minerais; transmitir a posse a seus filhos; fundar vilas; doar sesmarias; nomear ouvidores, tabeliães, escrivães e juízes; cobrar impostos; exigir dos colonos o serviço militar obrigatório. O que estabelecia esses direitos e deveres do capitão donatário era a carta de doação e o foral.
A estratégia da coroa portuguesa fracassou na grande maioria dos casos, alguns capitães nem sequer se deram ao trabalho de conhecer sua capitania. Outros, que tentaram empreender a colonização, sofreram com uma série de problemas: grandes distâncias entre as capitanias; alto custo para o financiamento das capitanias; solo impróprio para produção agrícola; ataques indígenas; e desentendimentos entre os próprios capitães. Um dos exemplos de fracasso foi Francisco Pereira Coutinho, donatário da capitania da Baia de Todos os Santos que superou quase todos os problemas, mas foi capturado e devorado pelos índios Tupinambá. De todas as capitanias apenas duas deram os resultados esperados. Tanto São Vicente como Pernambuco, prosperaram, principalmente, em função da implantação da produção de cana-de-açúcar.

OS GOVERNOS GERAIS

Como a tentativa de repassar a iniciativa da colonização para os capitães donatários não deu o resultado esperado, em 1548 a coroa portuguesa decidiu interferir diretamente na colonização e instituiu o Governo Geral. O Governador Geral passaria a ser o principal representante do rei no Brasil, a ele caberia administrar, garantir a defesa do território, explorara as terras desconhecidas, estimular a produção, distribuir sesmarias, estabelecer alianças com os índios e evitar a fragmentação do território da colônia. O primeiro governador foi Tomé de Souza, ele governou o Brasil entre 1549 e 1553. Instalou-se na Baía de Todos os Santos e deu início a construção de Salvador, primeira capital da colônia. Com Tomé de Souza vieram os primeiros escravos africanos e os padres jesuítas. O objetivo dos jesuítas era converter o maior número de índios a fé cristã. A presença dos jesuítas entrava em choque com o amplo comércio de escravos indígenas realizados principalmente em São Paulo. Para pacificar os indígenas a coroa portuguesa criou dificuldades para a sua escravização, e os jesuítas passaram a se aproximar dos indígenas para facilitar o trabalho de catequização. Com o tempo a solução encontrada para cristianizar os indígenas foi a de acabar com o nomadismo e criar aldeias ou reduções. Nessas reduções os índios tornaram-se agricultores sedentários e passaram a viver submetidos a uma rígida disciplina de horários. A presença jesuíta acabou por desarticular a população indígena nos lugares onde foram implementadas as reduções acabando por submeter a cultura indígena a cultura européia.
Duarte da Costa foi o segundo governador geral, governou entre 1553 e 1558, teve sérios problemas na sua administração. A oposição entre colonos pobres e jesuítas e, principalmente, a invasão da Baía da Guanabara pelos franceses. Liderando alguns milhares de colonos o francês Nicolau Villegaignon fez uma aliança com os índios Tamoios fundou a França Antártica. Ainda durante o governo de Duarte da Costa os jesuítas Anchieta e Nóbrega construíram uma escola para órfãos em 1554 que depois deu origem a cidade de São Paulo.

Em 1558 Mem de Sá assume o Governo Geral para solucionar os problemas herdados do último governador. Sua primeira medida foi a de fortalecer o exército local e colocar no comando das tropas o sobrinho Estácio de Sá. Estácio, com ajuda dos jesuítas, consegue romper a aliança entre os Tamoios e os franceses e funda a cidade do Rio de Janeiro em 1565, dois anos após os franceses são derrotados e expulsos da região, indo se fixar no norte do Brasil. Foi também durante o governo de Mem de Sá, que duraria até 1572, que se intensificou o tráfico de escravos. A marca da fase dos governos gerais foi a consolidação do processo de colonização, essencialmente em função da produção açucareira que tornou-se a base econômica para colonização.

A PRODUÇÃO AÇUCAREIRA NO BRASIL

De origem asiática o açúcar passou a ser conhecido na Europa a partir das Cruzadas. Produto utilizado como adoçante, conservante de alimentos e em remédios era extremamente caro sendo consumindo apenas pela mais alta nobreza. No Brasil a produção de cana-de-açúcar iniciou-se a partir da chegada de Martim Afonso de Souza com a construção do primeiro engenho em terras brasileiras. Ainda durante o século XVI o número de engenhos já superava uma dezena na capitania de São Vicente enquanto que em Pernambuco tínhamos mais de 60. Mais do que um produção que possibilitou o processo de colonização do Brasil a cana-de-açúcar moldou a estrutura econômica, social e política do Brasil Colônia. O trinômio que definiu o Brasil Colônia foi: latifúndio, monocultura e escravidão. No que diz respeito a opção pela utilização da mão-de-obra escrava, podemos, além de considerar um negócio altamente lucrativo para os comerciantes portugueses, lembrar que esta opção estava relacionada ao domínio que o escravo africano tinha da agricultura o que possibilitou a sua adaptação em condições melhores do que a dos índios. Todavia a utilização da mão-de-obra escrava em larga escala na economia açucareira nos deixou como herança uma sociedade altamente racista e preconceituosa, uma vez que era o racismo que justificava e legitimava a escravidão. Por outro lado a sociedade açucareira além de altamente racista, também era uma sociedade patriarcal. Dominada pelo senhor de engenho a sociedade açucareira se caracterizava por ser conservadora em todos os sentidos. Esta nascente elite passou a controlar a vida social, política e econômica do Brasil.
De outro modo o estabelecimento da monocultura tornou o Brasil dependente, pois esta monocultura era voltada para o mercado externo caracterizando o que definimos como agroexportação. Durante a maior parte da nossa história o Brasil sofreu muito com essa herança de dependência econômica, somente no século XX o que superamos esta estrutura. Para muitos a pior das heranças da produção açucareira, tem sido a opção pelo latifúndio como estrutura fundiária, apesar de ter sido implementado ainda nos primeiros anos da nossa história, com a distribuição de sesmarias ou mesmo a opção pelas capitanias hereditárias, a produção extensiva da cana-de-açúcar só agravou esta situação, sendo este uma das heranças do Brasil colônia que ainda não foram solucionadas. Apesar da legitima pressão exercita pelos movimentos populares como o Movimento dos Sem Terras, o Brasil segue sendo um dos países de maior concentração fundiária do mundo, gerando pobreza, miséria e fome no meio rural e urbano.
Por apresentar condições favoráveis o nordeste brasileiro tornou-se o centro produtor de açúcar na colônia. O açúcar era monopólio comercial da coroa portuguesa, mas nem Portugal nem Brasil possuíam condições realizar o refino do açúcar, do Brasil era exportado para a Holanda que realizava o refino e comercializava. A maior parte do lucro ficava nas mãos dos holandeses, mas como o açúcar era produto altamente lucrativo o que sobrava para os portugueses ainda era bastante.

AS INVASÕES HOLANDESAS

Em 1578, o rei Sebastião de Portugal, morreu na África do Norte, dois anos mais tarde o seu tio que havia herdado o trono também morreu. O rei da Espanha Felipe II, era primo de dom Sebastião e exigiu herdar o trono português, já que não haviam mais herdeiros. A burguesia portuguesa faz um acordo com o Felipe II e aceita a união das coroas. Em 1580, com o juramento de Tomar Espanha e Portugal uniram-se no episódio denominado de União Ibérica. Esta união fez com que os inimigos da Espanha se tornassem inimigos do Brasil. Entre esses países estavam França, Inglaterra e Holanda. Uma das primeiras medidas adotas foi o rompimento das relações comerciais com a Holanda. Impedidos ter acesso ao açúcar brasileiro os holandeses, apoiados pela Inglaterra, decidiram invadir a zona produtora de açúcar no nordeste. Em 1630 com 3500 soldados e 56 navios os holandeses desembarcaram e ocuparam as cidades de Recife e Olinda e fundaram a Nova Holanda. Entre 1637 e 1644, a colônia foi administrada por Maurício de Nassau que conseguiu apaziguar a região liberando créditos para os produtores de açúcar, barateou o preço dos escravos e urbanizou a cidade de Recife. Em 1640 Portugal recuperou a sua autonomia dando fim a União Ibérica. Ao mesmo tempo a crise econômica por que passava a Holanda fez que os empréstimos concedidos aos Senhores de Engenho passassem a ser cobrados. Estes dois fatores levaram a população de Pernambuco a se insurgir e expulsar os holandeses, a Insurreição Pernambucana aconteceu em 1644 e acabou com o domínio holandês no nordeste.



A EXPANSÃO TERRITORIAL E INTEGRAÇÃO ECONÔMICA

As fronteiras territorial atual do Brasil são bem mais extensas do que aquelas definidas pelo Tratado de Tordesilhas em 1494. Este vasto território a oeste foi integrado às fronteiras do Brasil, principalmente, pela presença fundamental dos bandeirantes paulistas. A ocupação de zonas distantes do litoral inicia-se com a introdução do gado que possibilitou a ocupação econômica de algumas zonas importantes como o sertão nordestino e o vale do rio São Francisco. Mas a grande penetração para o interior deu-se a partir do século XVII com a participação dos bandeirantes. Oriundos de São Paulo e Piratininga, os paulistas passaram a organizar as bandeiras, expedições particulares, com o objetivo de apresar índios, revendê-los como escravos e encontrar algum tipo de metal precioso. Partindo de São Paulo pelo Tietê e seguindo o curso dos rios os bandeirantes reconheceram, mapearam, conquistaram e povoaram regiões como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goias, Minas Gerais,Mato Grosso, etc. Além de serem responsáveis pela colonização dessas regiões os bandeirantes contribuíram para a economia com a descoberta, finalmente, de ouro no Brasil.

O OURO DAS MINAS GERAIS

Quando em 1693 os bandeirantes começaram a encontrar ouro de diamantes da região de Minas Gerais, finalmente os portugueses haviam encontrado aquilo que estavam procurando desde a chegada de Cabral. Quando a notícia da descoberta de ouro chegou na Europa começou a “corrida do ouro”. Inicia-se a partir daí uma intensa migração em direção as Minas Gerais, como os bandeirantes haviam sido os primeiros a chegar houve uma serie de conflitos entre eles e os recém chegados. Entre 1707 e 1709, o conflito se transformou numa guerra até os paulistas serem trucidados depois de terem deposto suas armas no episódio que ficou conhecido como Capão da Traição. Após este episódio a coroa portuguesa decidiu controlar a exploração das reservas de ouro e diamantes da região. A exploração só poderia se dar através da concessão do governo, as minas foram divididas em Lavras (lotes) que foram concedidas aqueles que possuíam maior capacidade de explorar as minas. Toda a extração de ouro deveria seguir para fundição oficial da coroa onde era retirado o quinto (1/5) a título de imposto, era terminantemente proibido a circulação de ouro que não tivesse o carimbo da coroa portuguesa. Além disso, cada cidade deveria pagar 100 arrobas ano de impostos, este sistema, conhecido como derrama, foi fator de muito descontentamento dos mineradores. Nada disso impediu o contrabando do ouro, que aconteceu em larga escala neste período.
A grande importância da economia mineradora é que ela transformou o Brasil a partir do final do século XVII. Quando por volta de 1770, data de referência, o ciclo da mineração entrou em declínio ele já havia operado importantes transformações no Brasil. O eixo econômico deixou de ser o nordeste e passou, definitivamente, para o sudeste. Houve também um processo de urbanização a população brasileira aumentou consideravelmente o que possibilitou a formação e a integração de um mercado interno no país (mapa acima). Além disso, a mineração possibilitou o surgimento de uma elite nativa identificada com o Brasil e influenciada pelos ideais iluministas, isto possibilitou a gestação do nosso processo de independência.